quarta-feira, 23 de abril de 2008

TRANSTORNOS DA INFÂNCIA PRECOCE E PRIMEIRA INFÂNCIA

Existem diversos transtornos emocionais que qualquer ser humano está sujeito a ter, inclusive as crianças e adolescentes. O tratamento adequado desses transtornos de forma e em época adequadas, proporciona não só às crianças e adolescentes um melhor desenvolvimento, senão também à família e, em última instância, à sociedade.
O contacto precoce íntimo da criança com a mãe, imediatamente depois do nascimento terá um significado emocional muito grande para o futuro emocional da pessoa.
Os gestos e carinhos com que a mãe toca seu filho recém nascido, a conversa simbólica cujo significado é mais sentido que compreendido pela criança, a sensação tranqüilizadora que a criança sente quando sente seu corpo junto ao corpo da mãe, quando capta os batimentos cardíacos no peito da mãe são experiências afetivas primordiais que ficarão eternamente presentes no perfil afetivo dessa criança.
Esta etapa de relacionamento afetivo íntimo mãe-bebê tem sua influência mais marcante entre os 3 e 10 anos (da infância precoce até a idade escolar, ou primeira infância). E nessa etapa as crianças necessitam do relacionamento afetuoso com os adultos, de um contacto que estimule segurança, confiança e proteção.
Alterações no relacionamento mãe-filho nessa faixa etária podem ter conseqüências danosas ao desenvolvimento infantil e seqüelas que podem se perpetuar ao longo da vida adulta. Essas conseqüências dependerão da época (quanto mais precoces piores), das características afetivas inatas da criança, da personalidade da mãe e das circunstâncias desse relacionamento.

Transtornos da Alimentação – De 0 a 1 Ano
O Transtorno de Alimentação da Primeira Infância consiste na falha persistente em comer ou mamar adequadamente, que se reflete como um fracasso significativo para ganhar peso ou uma perda de peso significativa ao longo de pelo menos 1 mês (Critério do DSM.IV). Não se trata da conseqüência existe de uma condição gastrintestinal orgânica ou outra condição clínica, como por exemplo, do refluxo gastro-esofágico, mas uma perturbação alimentar de difícil explicação. Para que o transtorno alimentar seja considerado de primeira infância seu início deve ocorrer antes dos 6 anos de idade.
Com freqüência os bebês com transtornos da alimentação são irritáveis e difíceis de consolar principalmente durante a alimentação e, em outros momentos, eles podem ser apáticos e retraídos, bem como apresentar atrasos no desenvolvimento.
Em alguns casos o Transtorno de Alimentação da Primeira Infância coexiste com problemas na interação entre os pais e a criança, em geral caracterizados por reações agressivas dos pais diante da recusa alimentar do bebê.
Pode existir uma associação entre o Transtorno de Alimentação da Primeira Infância e dificuldades no ciclo sono-vigília, regurgitação freqüente e períodos imprevisíveis de vigília. No primeiro ano as recusas alimentares também podem ser conseqüência de separações traumáticas, porém, não é raro que aconteça o contrário, ou seja, que a criança mostre uma necessidade excessiva de alimento.

Recusa Alimentar
Os primeiros transtornos alimentares na infância podem aparecer logo na lactância através da recusa do peito materno ou da mamadeira. No começo dessa anorexia algumas crianças demonstram apenas passividade diante da comida, não realizam os movimentos de sucção e, depois de algum tempo, se negam a comer. As causas podem ser fisiológicas, como por exemplo um reflexo de sucção mais lento, o fluxo do leite difícil ou a forma inconveniente do mamilo, ou mesmo devido à pouca necessidade de alimento.
As causas podem ainda ser psicológicas, neste caso, como uma reação negativa automática desencadeada pela ansiedade da mãe. Ainda por razões psicológicas, a criança pode apresentar recusa alimentar por ocasião do desmame do seio materno, manifestando-se, além da recusa alimentar, choro, agitação e/ou vômitos. Essa situação pode ser prevenida quando o desmame do seio é gradual. Durante o primeiro ano a relação comida-mãe tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança. Às vezes, a recusa alimentar da criança reflete uma carência de atenção materna. São importantes as reações dos pais a respeito dessas dificuldades alimentares da criança. Normalmente os pais se desesperam diante da inapetência de seus filhos mas, se forçam a alimentação com extrema rigidez, criam-se círculos viciosos onde a hostilidade e tensão passam a predominar, convertendo os atos de comer em verdadeiras lutas entre os pais e a criança.

Vômitos
No caso dos vômitos, o jato e a força do alimento expelido pela boca é proporcionada por fortes contrações da musculatura abdominal e podem ter uma grande variedade de causas. Entre essas causas as mais comum são o exceso de alimento oferecido, seguido pela voracidade e rapidez com que alguma crianças mamam e por atitudes extremadas das mães, sobreproteção ou de falta de atenção. A aerofagia, que é a ingestão de ar junto com o leite, também pode ser uma das causas.
Alguns psicólogos acreditam que, com muita freqüência, os vômitos se devem a dificuldades emocionais que a criança experimenta, e devem ser entendidos como uma tentativa de chamar a atenção, uma espécie de protesto ou um medo de perda da mãe.

Regurgitação ou Ruminação
A característica da Ruminação ou Regurgitação é a volta espasmódica da alimentação ingerida e re-mastigação de alimentos. Trata-se de uma dificuldade muito séria no processo alimentar que começa entre os 3 e 6 meses de idade, podendo persistir durante muito tempo.
O alimento parcialmente digerido é ejetado da boca ou, mais comumente, mastigado e engolido de novo, é regurgitado sem náusea, esforço para vomitar, repugnância ou transtorno gastrintestinal aparentes.
A Regurgitação não é devida a uma condição gastrintestinal ou outra condição clínica, como por exemplo, ao refluxo gastro-esofágico.
Os bebês com Ruminação ou Regurgitação exibem uma posição característica de tencionar e arquear as costas com a cabeça estirada para trás, projeta a mandíbula para frente e faz movimentos de sucção com a língua. A regurgitação ou ruminação não ocorre só depois que a criança se alimenta mas sim em qualquer momento e, curiosamente, parece ocorrer mais vezes quando a criança se encontra sozinha.
A literatura enfatiza o fato das crianças com Regurgitação serem habitualmente quietos, tristes, e que permanecem imóveis durante horas. Tem-se a nítida impressão que elas experimentam algum prazer com a ruminação e podem continuar fazendo movimentos de sucção como se buscassem alguma satisfação oral com isso.
Quando a regurgitação se regulariza, interrompe-se a perda de peso que a criança vinha apresentando, caso contrário, o crescimento é deficiente, podendo aparecer distrofia grave e desidratação e desnutrição.
Ainda que se possa evitar o ato de ruminação mediante constante atenção ou distração à criança, uma melhora mais expressiva só pode se dar com o restabelecimento de uma boa relação entre a mãe e a criança. Em algumas ocasiões a regurgitação pode se confundir com os vômitos, sendo o aspecto voluntário da regurgitação a principal diferença.

Constipação
A constipação é a retenção fecal quando não existem anomalias anatômicas ou causas dietéticas. A pesar de, aparentemente, não parecer um problema importante, pode converter-se em um transtorno crônico e difícilmente reversível. A constipação na criança é considerada, também, como uma forma de expressar sentimentos de oposição, frustração e ansiedade.

Diarréia
Tanto em crianças quanto em adultos, as diarréias também se incluem entre os transtornos gastrintestinais cuja origem é a ansiedade e a depressão, exceto nos casos de uma possível ação de agentes infecciosos ou alergias alimentares.


Fonte: Ballone GJ - Transtornos da Infância, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <www.virtualpsy.org/infantil/infancia.html> 2003

6 comentários:

Pati Merlin disse...

Você acha que mães que amamentam demonstram maior preocupação na oferta de novos alimentos? Eu vejo mães que amamentam muito mais comprometidas com alimentação saudável, do que as que ofereceme mamadeira. Então indo mais longe: crianças de 2 a 8 (um chute na idade limite) se alimentam melhor SE forem amamentadas ao seio até 6 meses ou mais (2 anos conforme recomendação da OMS).
Existe alguma pesquisa neste sentido?
Visoita meu blog: www.amamentacaoexclusiva.blogspot.com

Fernanda da Silva - Nutricionista disse...

Oi Pati.
Te digo que nunca vi nenhuma pesquisa nesse sentido, talvez pelo fato de não ter a curiosidade de buscar mais sobre essa questão. Vou te dizer o que vejo no dia-a-dia:
Concordo com vc qdo diz q mães que amamentam demonstram maior preocupação quando chega a fase da introdução da alimentação complementar (mas vale lembrar que há casos e casos, ok?). Sou 100% favorável a amamentação exclusiva até os 6 meses de vida e a continuidade da amamentação até os 2 anos ou próximo a ele. Agora vejo que dizer que crianças amamentadas se alimentam melhor não é verdadeiro, pois depende da educação alimentar que ele teve dentro de casa, dos alimentos ofertados, da forma de preparo, entre outros fatores. A forma como a mãe vai introduzir os alimentos é o fator principal. Por exemplo, se ela faz uma papa de batata, cenoura e brócolis batida no liquidificador, a criança não vai se acostumar com os sabores de cada um deles. O legal é "amassar" com o garfo cada um deles e deixas as 3 cores presentes no prato. A criança tem q aprender que existem texturas diferentes.
Ressalto que não sou entendedora do assunto, estou dizendo pelo que vejo nas consultas.
Mas é provado através de estudos que crianças amamentadas tem menor "paixão" por doces pq não cresceram acostumadas com o "açúcar" na mamadeira. Adorei seu blog.
Obrigada pela visita e desculpe a demora pra responder.
Abs.
Fernanda

silvia disse...

Meu filho tem 11 anos e não aceita nenhum tipo de alimento, sua dieta esta cada dia menor, diz ter medo de experimentar outros tipos de alimento, ja fez analise e não resolveu, pode me ajudar com sua opinião?

Fernanda da Silva - Nutricionista disse...

Oi Silvia.
Você relata que ele sente "medo" de experimentar alimentos!
Vc já tentou fazer uma "retrospectiva" de como foi toda a história alimentar dele?
Tente se lembrar como foi o desmame, a introdução do suco, papa doce, papa salgada, se houve algum momento que você o forçou a comer algo ou perdeu a paciência? Se vcs tem o hábito de reunir a família para se alimentar, se ele costuma comer em frente à TV ou se distraindo com outras coisas? Como é a alimentação de quem está em volta dele (sua, do pai, irmãos, etc), se você come com prazer os alimentos que quer ofertar a ele?
Faça um exame de consciência. Se toda essa transição, todas as mudanças alimentares na vida dele ocorreram de forma natural e prazerosa é legal vc levá-lo a um médico e solicitar exames para verificar se todos estão dentro da normalidade.
Procure conversar com ele, tentar detectar o que houve, a partir de que momento algo o traumatizou!
Também é bom vc procurar uma nutricionista que utilize ferramentas ludopedagógicas em educação nutricional para trabalhar com ele. Espero ter ajudado!
Abs.

Duda Moraes disse...

Olá!
O filho de uma amiga não pode sentir nem o cheiro da comida que sente enjoo e vomita sem parar, onde podemos procurar ajuda?

Fernanda da Silva - Nutricionista disse...

Olá Duda, embora a resposta à sua solicitação tenha vindo um tanto tarde (espero que tenham encontrado ajuda), te indicaria maiores informações no Ambulim http://www.ambulim.org.br
Com certeza lá será solucionado este problema. Boa sorte!